No despertador do iPhone, toca Lulu Santos. É hora de acordar. Acordo e tomo meu café com Nescau, com o pão de manteiga mergulhado até o fundo. 2 colheres sem açúcar, afinal já vem adoçado, como você pregava. Vou para o banho e esqueço a toalha. Mais uma vez. De novo. Estranho não ouvir nenhuma reclamação no instante posterior ao grito de ajuda. Me troco, a roupa está amarrotada. Desculpe, guardei assim mesmo, eu confesso. Amanhã vai ser diferente. Vou pro trabalho. Não, espera, deixei os copos sujos na pia. Ok, "Vai juntar formiga e blablabla..". Eu sei de cor, não te preocupa.
Trabalho. Horas sentado esperando aquele feijão bem temperado que você me ensinou a fazer. Não, espera....esqueci. Esqueci ele na geladeira. Bem que você me falou. Não 1 ou 2 dias. 24 anos. Não importa, vou comer miojo mesmo, você ficaria preocupada mas sabe que eu faria isso. Eu sei que "só faz mal, que só tem sódio..." mas o que são 24% de sódio (em uma dieta calculada em cima de 2.000 kcal, informação sempre tão fundamental) perto da fome?
Academia. No espelho, um recado que diz "Anabolizantes podem causar a morte". É. Uma senhora de 50 anos me dizia a mesma coisa, quase um mantra, uma insistência diária pra que eu trocasse o peso pelo cobertor de casa. "Como será que ela está agora?, me pergunto". Pego o carro, no rádio "Apenas mais uma de amor". Só pode ser perseguição, pra me lembrar de cumprir os 60km por hora. Que chata. Que saudade. Chego em casa e não é estranho encontrar aquela baderna. O que você diria disso hein? Até ontem era "a forma de me encontrar na minhas coisas", hoje, fere meus olhos. A vassoura é minha melhor amiga depois das 22 hrs. E lá vamos nós de novo.
Deito na cama devidamente arrumada apesar do meu argumento que você esculachava de que "eu vou bagunçar tudo de novo mesmo". Mas antes, ali pendurado, meu violão me convida pra uma musiquinha. Acho que dá tempo de uma. Desta vez no meu violão, já que você tinha ciúmes do teu e jamais me emprestava. E começa, algo como "Eu não consigo me convencer, que essa vida não foi injusta, tanta falta me faz você, queria ver você lá em casa...Oh mãe, o amor que eu tenho por você, é teu..". É, acho que ela ia gostar se eu cantasse isso pra ela.
Viu só, mãe? A distância é ilustrativa, você continua comigo o tempo todo.
Guilherme Vilaggio Del Russo
sábado, 25 de maio de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Consertar você
Já reli nossa conversa uma porção de vezes. Em cada uma delas, uma percepção. Não tem sido fácil não ser óbvio. Maldita coerência sentimental que me leva a pensar em cada gesto, atitude, cada palavra. Se você parar e pensar, é completamente irracional mas acredito que é justamente daí que nascem os sentimentos genuínos.
Não sou um dejavu. Somos uma oportunidade esperando pra ser regada e adubada. Sabemos que a vida é feita de escolhas mas hoje eu só quero saber o que você quer pro jantar, se prefere vinho branco ou rosé. É simples. Hoje eu vim pra fazer você resgatar antigas crenças.
Você me conhece pouco, mas, se deixar, verá que tenho predisposição a encontrar gente do bem no caminho. Gente que agregue, que soma, a diferença numa noitada de vestidinhos iguais e iguais e iguais... Essa pessoa ê você e essa é a boa notícia. Isso não pode ser coincidência.
A má é que eu não faço a menor idéia de como fazer você acreditar mais. De parecer um cachorro pedindo mais meia dúzia de palavras e afagos. Você talve ria desse texto, mas achei ser a escolha certa num momento onde elas são necessárias. Uma delas foi te por aqui. Guardar você e esse sentimento bom aqui pra sempre.
Agora, eu preciso de você. Não sei o que está acontecendo nem se está acontecendo algo entre nós. Nem um bom motivo pra te fazer gastar um pouco da sua fé em mim. Mas, if i never try, "i'll never know". Certo?
É isso. Branco ou Rosé?
Guilherme Vilaggio Del Russo
Não sou um dejavu. Somos uma oportunidade esperando pra ser regada e adubada. Sabemos que a vida é feita de escolhas mas hoje eu só quero saber o que você quer pro jantar, se prefere vinho branco ou rosé. É simples. Hoje eu vim pra fazer você resgatar antigas crenças.
Você me conhece pouco, mas, se deixar, verá que tenho predisposição a encontrar gente do bem no caminho. Gente que agregue, que soma, a diferença numa noitada de vestidinhos iguais e iguais e iguais... Essa pessoa ê você e essa é a boa notícia. Isso não pode ser coincidência.
A má é que eu não faço a menor idéia de como fazer você acreditar mais. De parecer um cachorro pedindo mais meia dúzia de palavras e afagos. Você talve ria desse texto, mas achei ser a escolha certa num momento onde elas são necessárias. Uma delas foi te por aqui. Guardar você e esse sentimento bom aqui pra sempre.
Agora, eu preciso de você. Não sei o que está acontecendo nem se está acontecendo algo entre nós. Nem um bom motivo pra te fazer gastar um pouco da sua fé em mim. Mas, if i never try, "i'll never know". Certo?
É isso. Branco ou Rosé?
Guilherme Vilaggio Del Russo
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
o nosso hoje
você só aprende quando vive uma experiência dessas. Você vê em cada domingo, um global dizendo que, no final depois de tanto trabalho e distância, o que vale é a família, que é a base de tudo, que é o pilar, que é o cimento da vida e outras metáforas dominicais. Na cabeça, não passa outra coisa: - "Mas que babaca, quer pagar de humilde agora. O que ele tem pra me ensinar da vida?".
e aí você realmente vive isso. E não vive só no domingo, você vive todo dia. Você sente saudades de coisas que odiava. Sente falta de estar perto pra quem você prometeu que era preciso um caminho sozinho. Você lembra que sua cama não era tão dura assim e que sua mãe era...sua mãe, cara. Das pessoas que eram mais do mesmo, você as vê diferente, um olhar distante na distância mas profundo na análise. Cada dia é outro dia em que você perdeu seu pai resmungando na sala de estar.
não é pra ser algo pessimista, longe disso. Mas você se dá conta de que engrandece porque os problemas também são do mesmo tamanho. Você precisa competir de igual pra igual, senão não vai dar. Você aprende um monte de babaquices globais e vê que elas tem até...sentido. No final, vê que que o vale é a família, que ela é a base de tudo, que é pilar, que é o cimento da vida e o que mais será dito no próximo domingo.
e aí você realmente vive isso. E não vive só no domingo, você vive todo dia. Você sente saudades de coisas que odiava. Sente falta de estar perto pra quem você prometeu que era preciso um caminho sozinho. Você lembra que sua cama não era tão dura assim e que sua mãe era...sua mãe, cara. Das pessoas que eram mais do mesmo, você as vê diferente, um olhar distante na distância mas profundo na análise. Cada dia é outro dia em que você perdeu seu pai resmungando na sala de estar.
não é pra ser algo pessimista, longe disso. Mas você se dá conta de que engrandece porque os problemas também são do mesmo tamanho. Você precisa competir de igual pra igual, senão não vai dar. Você aprende um monte de babaquices globais e vê que elas tem até...sentido. No final, vê que que o vale é a família, que ela é a base de tudo, que é pilar, que é o cimento da vida e o que mais será dito no próximo domingo.
domingo, 1 de julho de 2012
Vinte e sete de Agosto
Querida,
deve estar frio por aí, eu sei. Aqui até que o céu anda aberto, mas nem por isso as coisas tem sido mais fáceis. Nesses dias cheguei a conclusão de que você realmente não me conhece muito bem. Se você tivesse me deixado ser o que sou, veria que eu não sou tão difícil de me entregar assim. E que me entreguei. Tenho pensado muito de que era pra ser e a gente não quis.
Não há uma maneira simples de assumir que não escolhemos o caminho que havia sido feito pra gente. E isso me assusta, linda. Porque foi ontem, ali naquele boteco aberto na cidade fechada. Você falava alguma coisa, eu concordava, você me escolheu primeiro, eu te imaginei por livros e viagens, era a dose de loucura ideal pra alguém que tinha sede disso. Acho que foi ali que percebi que queria passar o resto da minha vida tomando aquele 1.3 litros de cerveja. Claro, a cerveja era ótima, mas ainda preferia seu sorriso.
Você é do tipo louca, aquelas neuróticas, do tipo que me faz sorrir e pedir pra não adiantasse o relógio da vida. Mas eu te escolhi, então essa é a boa notícia. A ruim vem agora. O prazo de validade do seu amor venceu e só me traz hoje na boca um sabor insosso. Você anda distante o suficiente pra buscar comparação. E hoje tenho a impressão de que a gente vai se perder lá fora. Quando olharmos o calendário e as fotos, veremos que o momento de mudar tudo se foi. E nos caberá aceitar.
Não querida, não. Eu não esqueci das datas importantes. Eu sofro com uma péssima memória mas tenho um pré-disposição para achar que escrevo bem e fiz do título uma cola pra me fazer lembrar. Lembro também que você faz um ótimo risoto e isso deve valer pra alguma coisa. Assim como seu abraço. Era como o vinho, com cheiro de espera, saudade. Quanto mais demorasse pra acontecer, mais gostoso.
Eu não consigo encontrar uma argumento pra fazer com que você ainda acredite e gaste seu tempo comigo. Mas, que merda, a gente no seu cobertor era ótimo e não pode ter acontecido sem querer, você sabe.
"Infielmente seu",
Guilherme Vilaggio Del Russo
"Si escribo algo, temo que suceda, si amo demasiado a alguien temo perderlo; sin embargo no puedo dejar de escribir ni de amar."
deve estar frio por aí, eu sei. Aqui até que o céu anda aberto, mas nem por isso as coisas tem sido mais fáceis. Nesses dias cheguei a conclusão de que você realmente não me conhece muito bem. Se você tivesse me deixado ser o que sou, veria que eu não sou tão difícil de me entregar assim. E que me entreguei. Tenho pensado muito de que era pra ser e a gente não quis.
Não há uma maneira simples de assumir que não escolhemos o caminho que havia sido feito pra gente. E isso me assusta, linda. Porque foi ontem, ali naquele boteco aberto na cidade fechada. Você falava alguma coisa, eu concordava, você me escolheu primeiro, eu te imaginei por livros e viagens, era a dose de loucura ideal pra alguém que tinha sede disso. Acho que foi ali que percebi que queria passar o resto da minha vida tomando aquele 1.3 litros de cerveja. Claro, a cerveja era ótima, mas ainda preferia seu sorriso.
Você é do tipo louca, aquelas neuróticas, do tipo que me faz sorrir e pedir pra não adiantasse o relógio da vida. Mas eu te escolhi, então essa é a boa notícia. A ruim vem agora. O prazo de validade do seu amor venceu e só me traz hoje na boca um sabor insosso. Você anda distante o suficiente pra buscar comparação. E hoje tenho a impressão de que a gente vai se perder lá fora. Quando olharmos o calendário e as fotos, veremos que o momento de mudar tudo se foi. E nos caberá aceitar.
Não querida, não. Eu não esqueci das datas importantes. Eu sofro com uma péssima memória mas tenho um pré-disposição para achar que escrevo bem e fiz do título uma cola pra me fazer lembrar. Lembro também que você faz um ótimo risoto e isso deve valer pra alguma coisa. Assim como seu abraço. Era como o vinho, com cheiro de espera, saudade. Quanto mais demorasse pra acontecer, mais gostoso.
Eu não consigo encontrar uma argumento pra fazer com que você ainda acredite e gaste seu tempo comigo. Mas, que merda, a gente no seu cobertor era ótimo e não pode ter acontecido sem querer, você sabe.
"Infielmente seu",
Guilherme Vilaggio Del Russo
"Si escribo algo, temo que suceda, si amo demasiado a alguien temo perderlo; sin embargo no puedo dejar de escribir ni de amar."
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