sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"Um dia, você chega lá."

Pensei em escrever milhões de coisas para este último texto do ano. Uma poesia, algumas rimas, talvez uma outra carta. Pensei um pouco mais e percebi que vale mais a pena ser objetivo e dizem em poucas linhas 3 conselhos breves. Afinal, menos é sempre mais.

Só poderemos viver junto de alguém quando percebermos que somos individuais. Não importa o tamanho da intimidade, no final, o que importa é a liberdade.

Não contente-se com pouco. Não tenha piedade de si mesmo e nunca se compare com quem já perdeu na vida. Ver telejornais com histórias de pessoas que não tem o que comer e dizer "Poxa, estou melhor do que ele" não vai te levar a lugar algum. Isso é cômodo demais. No final do dia, pergunte-se: "O que eu fiz hoje para realizar meus sonhos?".

Persiga a excelência. Você nunca será perfeito em nada, isso é fato. Mas busque ser bom em tudo. Entenda que faz tempo que o talento perdeu para a dedicação. Não importa o que faça, se fizer, que seja com muito amor e muito carinho. Um dia, você chega lá.

Guilherme Vilaggio Del Russo.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre vencer na vida e um pouco mais

Pai,

4 anos. Passaram-se 4 anos desde a nossa última conversa que serviu como alicerce para minhas decisões que culminaram na escolha da faculdade tradicional como conhecemos hoje. Nela, concordei com você quando disse que aquele momento era de construir realidade e de não pleitear sonhos. Troquei palcos por salas de aula, o texto pelo giz, o improviso pelo politicamente correto.

Durante esses 4 anos, confesso que tecnicamente, pouco aprendi. Mas, mais importante do que isso, percebi o quanto meus 17 anos em suas costas tinham sido fundamentais para o crescimento de alguém despreparado e surdo para as lições que a vida gostaria, e viria depois, a dividir comigo. Aprendi a ser homem e mais do que isso: percebi que a vida é feita de escolhas.

De apaixonado doentio a realista sólido, de condizente inerce a ativista incessante em busca sempre do melhor. Em todos os sentidos, intelectual, financeiro, pessoal. Passei inúmeras transformações durante todo esse tempo que me fizeram perceber que crescia dentro de mim uma vontade louca de vencer. De mostrar que era capaz de caminhar só, mesmo que isso significasse andar de ônibus.Confesso que, deste mesmo tempo, surgiu um de meus maiores defeitos: o de não se contentar com nada e buscar hoje o que só poder ser conquistado amanhã ou depois. Um orgulho insensato grudado ao meu corpo.

Passei por amores, desencontros, bebidas, pessoas que passaram tão rápido quanto as aulas de planejamento que eu sempre atentantamente ouvia. Foram tantas as vezes que tive que voltar para casa pois no bolso não havia nada. Olhava pro lado e a juventude classe A se esbaldando em valores duvidosos. Mas na diversão que eu também sempre quis. Sem querer, essas mesmas pessoas tornavam-se meu combustível para seguir adiante e um dia reencontrá-las para dizer: "Eu também cheguei. E melhor: cheguei sozinho."

Venho mostrar minha gratidão por você não ter pago nenhum centavo deste passo importante para a evolução de um homem. Deixei para trás momentos que senti raiva e desprezo por não utilizar o que ganhava com meu suor para lazer, mas sim para pagar despesas, tão cruas quanto este que vos fala. Isso já faz parte do passado, mas acredite, esse sentimento de vitória pessoal é tao presente e assim será para sempre.

A faculdade termina, mas a vida começa. Agora sim, é tempo de sonhar.

Seu filho,
Guilherme Vilaggio Del Russo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Treze (Cálice!)

Os meios se alteram. A mordaça é a mesma. O silêncio obtido por meio de incertezas e falso moralismo. Somos todos iguais pero no mucho. O trabalho sim, este é igual a todos. Vivemos no século 21 mas ainda bebemos do vinho servido em 64.

O suor permanece. Ele gruda e cheira para não esquecermos de que, perante a lei, temos todos os mesmos direitos como cidadãos. E o de opiniar, com certeza, é o primeiro deles. Por deus, se não seguimos a Constituição, para que a temos? Rasguem essa merda! Eu vou continuar falando, só para ir contra a corrente. Os mesmos que me julgam e me pregam, concordam na causa. Então porque não estão deste lado? É melhor esquecer do que ouvir o justo.

O termo Ousadia aparecendo no dicionário daqueles que omitiram a força dos pequenos. Que falam inglês mas que se esqueceram de que bancamos suas aulas. De uns grandes apoiados em nós, que "engolimos a labuta". Que gostam de abafar porque sabem que a luta é quente e que se incendeia quanto mais se bebe dela. Eu respeito o organograma, mas não sou mudo perante o mesmo. É hora de não pedir muito, mas sim o digno.

É, devo estar ouvindo muito Chico Buarque. Perdoai Pai, eles não sabem o quanto pagam.

Guilherme Vilaggio Del Russo.

domingo, 8 de novembro de 2009

Carta ao governador, Sérgio Cabral.

Caro governador,

é com imenso prazer e satisfação imensa que quero, antes de tudo, lhe dar os parabéns. Ver a bandeira olímpica tremulando em terras brasucas realmente foi um feito incrível. Imagino pelo trabalho que o senhor deve ter passado para ter essa honra que se estende pelas fronteiras brasileiras. Colocar uma pitada de orgulho, nesse país de muito sol e pobreza hereditária, correto? Acabar de vez com o rótulo de "república de bananas e tiros", palavras ousadas dos periódicos internacionais.

Imagine o senhor se ainda tivéssemos tiroteios nas favelas?Brigas de gangues rivais lutando pelo melhor "point" de vendas de drogas. Qual seria o pânico que se estabeleceria? Sem contar o nosso desgaste perante o cenário mundial. Seria uma vergonha, mas graças a deus, isso é passado. Indo um pouco mais longe, seria um tanto quanto desagradável ver helicópteros caindo pelas mãos de traficantes, não é? Ver artilharia pesada, nas mãos erradas. Assaltos a bancos, chacinas costumeiras, linha vermelha. Vermelha mesmo, de sangue. Mas, isso já não assusta, parece coisa de outro mundo. Isso acabou. Ufa!

Beirando o ridículo, imagine se nós tivéssemos gasto quase o triplo que o previsto no Pan de 2007 (esculachando, com obras super faturadas, vai!) e que tivéssemos que ter uma comissão (repito, comissão) para investigar nossos próprios gastos para esta olimpíada? Lembra dos arrastões que tínhamos nos nossos cartões-postais? Da corrupção de uma polícia mantenedora de arsenal inimigo? Péssima fiscalização de trânsito, pessoas bêbadas dirigindo em alta velocidade, enfim... ah, chega! São só más recordações de uma passado pra lá de distante.

Acordar e ver que que acendeu-se o fogo no Rio de Janeiro (e que não era a tocha) parece cena de um cotidiano que já é passado, não é governador? Você não deixaria nós, brasileiros, passar por tamanha vergonha perante tudo e todos. Me sinto tão aliviado de ver um Rio de Janeiro calmo, tranquilo, sereno, de lindas e belas moças e praias.

Para não tomar-lhe mais tempo, imagine o senhor que tive a petulância de imaginar, num tempo atrás, que seria necessário escrever-lhe uma carta pedindo mais segurança e um pouco mais de respeito e ética com os brasileiros? De gritar para que você pare de gastar verba pública nas calçadas de Copacabana e que levante os olhos pras casas de tijolos que circulam o Cristo? De pedir honestidade e dignidade para com esta que será a casa de todas as nações logo menos. De abrir-lhe os olhos e ver que nem tudo se resolve com a música "O Rio de Janeiro continua lindo..." Ah, como fui estúpido. Essa carta é só para lhe agradecer realmente. Belo serviço, meu caro Cabral!

Um grande abraço,

Guilherme Vilaggio Del Russo, diretamente da Terra do Nunca.