quinta-feira, 15 de abril de 2010

Máquina (Lotus)

O cheiro da gasolina me faz tão bem. Esse odor de vingança e de vitória se misturando, também. A ignição que, na verdade, não começa absolutamente nada. Só indica o fim. De um tempo sofrido, de um tempo de feridas que ainda não estavam curadas. Como é bom sentir o destino em suas mãos. O ir e deixar de ir que agora só pode ser culpado pelo cansaço. Sinto um alívio no peito. E nos pés. Deixo de carregar um peso nas costas proporcional aquele que eu era para terceiros.

Nunca fui de pedir favores. Mas se puder proporcionar aos outros, fico feliz. Vou retribuir cada tempo gasto em atravessar essas ruas nem sempre tão simpáticas. Essa sensação de "Eu Cheguei Lá!" é fantástica. Aliás, eu ainda vou saber se é. Eu chegava sempre andando.

Um sonho que se realiza e que se move, na velocidade do necessário. É bom sentir esse orgulho egoísta, capaz de atropelar quem nunca acreditou. Todo mundo sabe que não dá pra ficar parado nessa vida. E é agora que não irei mesmo.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 25 de março de 2010

Letícia.

É tarde da noite e a luz de apaga de mais um quarto incomum. Uma mistura de princípios e fechamentos. Fim do espetáculo da vida, da dor e angústia. E começo da saudade, exceção esta que de tão importante, não tem fim. Dois jovens olhos verdes que se perderam na imensidão da música forte chamada Luta. O cansaço de um hospital que resulta num sono de mentira. Eu sei. A ficha cai e o mundo não é "conto de fadas" como diz a música. E se for, o autor não somos nós. A gente começa a se perguntar pra Deus porque de tanta injustiça. A gente também sabe que ele não responde, mas nessa altura do campeonato, o que temos a perder?

Palavras que neste momento são só parte de um vocabulário. 3 parágrafos que eu gostaria de substituir com um abraço. Sei que nessas horas vem a pergunta: "E amanhã?".Esqueça. Chore o hoje e sorria com o ontem. Pegue a lista e termine. Não deixe mais isso incompleto. Perceba o quanto isso é especial e veja que tem nas mãos uma possibilidade que ninguém tem: a de continuar.

Que você tenha coragem o suficiente para saber que fez o que estava ao alcance de mãos sem luvas cirúrgicas. Caminhe sempre e traga ela onde nunca deixou de estar: no coração e na mente.
Que você tenha a fé que não tenho. Me disseram que Deus sabe o que faz e é mais cômodo pensar assim. E que você lute, como ela lutou. Mais: que você vença, como ela venceu. Pense em uma coisa: os bons se vão logo. Ficam aqueles que tem muito a aprender.

Ao amigo Renato Max,
Guilherme Vilaggio.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eu e o Luciano Huck

Terceiro mês do ano se passa a uma mesmice tão 2009. Não estamos em guerra, não estamos em meio a uma epidemia, nem temos um grande evento para mudar o rumo da história. Seremos páginas em branco nos livros de décadas posteriores. Parece que nos acostumamos a ser índice e nunca mais destaques nos jornais. Custa-me dizer que aprendemos com a dor e somente em momentos de recessão econômica. Somos uma geração em que busca a felicidade em terceiros. Pessoas que, de tão generosas, esquecem de si mesmas. Isso me auto ajuda a me explicar.

Que me importa se ainda persiste a guerra entre afegãos e norte-americanos? Dane-se, eu quero mesmo é Calvin Klein assinado em minhas cuecas. Sou o que visto e para me sentir mais ousado, uso golas em V. Hoje, arriscar siginifica participar da loteria. Somos a merda de um cartão de apresentação de empresa. Quanto mais palavras na descrição do cargo, mais cansado você se sentirá e menos fará. Estamos em um momento dominado por presunçosos ou por workholics. Não encontramos um meio termo, nem tempo. Minto. Encontramos sim, e nos boicotamos gastando horas vendo televisão, lamentando a tragédia chilena e agradecendo a Deus por isso ter sido com eles. A Tv me ensina que eu só posso ser feliz se for escolhido pelo Luciano Huck para reformar a minha casa. Quero que você se exploda, Luciano. É fácil fazer com o dinheiro dos outros, a gente vê isso em Brasília. Old school demais, meu caro.

Meu extrato bancário é meu indicador de felicidade e minha poupança, a visão do futuro. Louvamos a cultura estrangeira (que nos pisa na mesma proporção real X euro). Somos bombardeados com publicidade inútil e corrosiva, criando necessidades absurdas. Cara, eu vejo tanto potencial perdido nas plantações de cana. Os falsos heróis estão na TV. Os de verdade, na linha vermelha. Todos os dias alimento meu roteiro de um filme de drama com o noticiário. Todos os dias eu acordo, jogo água na cara e me prometo deixar a marca no mundo, como um ferro em brasas. Eu nunca consigo. Eu preciso mudar. Eu e o mundo.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sr. Excelentíssimo Grandíssimo Corrupto

Liberdade, segundo o dicionário da língua portuguesa: Faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher. Independência, conquistar a liberdade. Liberdade de opinião, de pensar, de exprimir cada um dos seus sentimentos, suas convicções.

Fazem 6 meses que apagamos essa palavra do dicionário brasileiro graças a uma ação judicial. Voltamos a ter a mentalidade da ditadura militar. 6 meses que jornais (Estadão, principalmente) e veículos de mídia são proibidos de criar, pensar ou veicular notícias referentes a uma tal "Operação boi-barrica". São problemas envolvendo a família do senhor Excelentíssimo Grandíssimo Corrupto, José Sarney, que indicam falsiodade ideológica, transições internacionais milionárias por debaixo dos panos, desvios de verba pública entre outras com típico tempero Brasuca. Um novo nome para um antigo problema, antes resolvido com mordaças, cacetetes e cordas penduradas. Hoje, vejam vocês, resolvidos pelo poder Jurídico. Deus do presente. Onipresente, Onipotente, Oniciente e Ordinário. Diz, o senhor Excelentíssimo Grandíssimo Corrupto, que a operação trata-se de problemas de família e de segredo de estado e por isso não deveria ser veiculada. E aí, eu lhe pergunto: Qual a função dos jornalistas senão justamente descobrir segredos que dizem respeito ao interesse público?

Trata-se nada mais do que Censura Prévia! Tão ridicúla quanto antiga. Não se analisa nada, simplesmente se impõe algo antes mesmo de existir. Algo como chegar em um cigano e lhe obrigar a prever um futuro bom. "Não se deve falar sobre isso. Ponto final." Mas de 30 sites, jornais e blogs que deveriam usar interrogações sendo obrigados a dar reticências. E nós, cidadãos de "Um País de Todos", obrigados a engolir o Excelentíssimo Grandíssimo Corrupto dizendo que nunca se intrometeu nas questões jornalísticas. Coincidência ou não, quando o pedido de retenção de reportagens envolvendo este tema chegou ao Jurídico , ele foi julgado por um juiz amigo de Sarney, que então criou esta ação... Ah! Seria melhor colocar uma placa escrito "Estúpidos" na nossa testa, senador! E o futuro é alarmante: se realmente essa ação for mantida por mais algum tempo, teremos a semente da censura germinando e somente uma "poda" de uma Emenda Constitucional poderá nos salvar. E, entre nós, para um país incapaz de organizar partidas de futebol civilizadas, imagine criar essa emenda...

E porque preciso de vocês: estou aqui somente defendendo a liberdade de expressão daqueles que pensam diferentemente de mim. Ou seja, você mesmo. Passou da hora de dizer que isso é Inconsitucional! Chegou o momento de usarmos os diplomas de jornallistas que não temos. Falar e reverberar. Vestir-se de megafones e alarmar a pessoa ao lado do risco que corremos. Não quero explicar aos meus filhos que Liberdade é meramente uma figura de linguagem.

Guilherme Vilaggio Del Russo