quinta-feira, 19 de abril de 2012

A história de Jacks e o Sabiá

Menino-homem, homem-menino
de meia idade
esqueceu de crescer
e foi viver de verdade

foi se encontrar com Deus
e perguntar porque foi escolhido
pra ser daquele jeito
eternamente menino

alma leve, coração puro
escondido em uma ilha, por lá viveu
não deixou filho, filha
e tá indo "pra um lugar todinho meu"

e agora que me dei conta
que o inocente sou eu
porque fui obrigado a caminhar
e de qualquer obrigação, ele se esqueceu

você veio e ensinou
que viver preocupado é grande bobagem
mas chegando lá em cima, não esqueça de ligar dizendo
"fiz boa viagem".

que exemplo, que sorte a tua
de ter vivido só a juventude
a vida em sua amplitude
a carne estava com sal mas a poesia é sua

E foi assim, sonhando em tempo integral
que viveu o cara libertino
mostrando que não há nenhum mal
ter na raiz a grandeza de ser menino

Guilherme Vilaggio Del Russo

* em homenagem a Jacks Jairo Wiesen Thiesen, falecido no dia 19/04, vítima da escolha divina pelos puros e bons.

sexta-feira, 9 de março de 2012

A casa triste

6 horas da manhã e pra me sacanear, eu levanto. Lá fora, um sol que ri da minha cara de sono e meu cão chorando por estar preso. Preso parece estar eu, porque essa noite foi foda. 1 minuto dormindo, 3 pensando que é preciso ter muita gana. "O que eu vou fazer pra me mudar amanhã?". Pego a corrente do vira-lata e saimos juntos, na cabeça a dúvida se faço isso realmente por ele.

Hoje eu estava puto da vida e com a mesma. A mesma estúpida sensação de que basta seguir caminhando mas que Deus é um grande GPS desatualizado. Algumas ruas contra-mão, caminhos mais longos, placas de "proibido parar". Mas trajeto traçado. Como é difícil engatar essa 3ª.

A verdade é que não anda fácil. É preciso se provar dia após dia que você é capaz. É exercício diário e se não faço, me esqueço. Das vitórias eu nem me lembro, mas as brigas e confrontos ficam remoendo aqui dentro. Que fase, que frio. Acho que meu cão está cansado. E eu idem.

Cansado e tão descrente que penso em pegar a bíblia. Droga. Troquei ela em um sebo por um livro do Chico. "Aprende, Guilherme", ás vezes sozinho não dá.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

meus próximos 12 meses.

Comecei o ano no shuffe. Claro, nada mais óbvio para alguém como eu que não consegue tomar uma decisão com facilidade. Deixei as escolhas a esmo. Ele normalmente tem a razão. As músicas que tocam tem caído bem. Me feito bem. A gente vive ouvindo a mesma música por tanto tempo que esquece de abrir, um poquinho que seja, os olhos para o redor. Ou os ouvidos.

Pra este 2012 escolhi que preciso de foco. Preciso aprender a abrir mão, a ter prioridades, a dizer não. É difícil, são 23 anos tentando não desagradar ninguém. "Mas a vida é assim, Guilherme, deixa de ser muleque". Palavras do meu subconsciente. Ok, nada de auto-piedade, essa nunca foi uma das minhas qualidades mesmo.

Este ano não quero abdicar do meu direito universal de sonhar. Tendo sido tão racional nos últimos tempos que sou pura matemática. Certa, correta, precisa, que não deixando sombra de dúvidas. Chata, no final das contas. Quero me perdoar mais, conhecer quem está me esperando, aprender o que sempre fui contra, acreditar mais em superstições e pedir desculpas a Deus. Sim, cada vez estamos mais distantes. Mas trata-se de uma relação de confiança, cada um trabalha do seu lado. Ás vezes de auto-confiança. Em excesso. E aí, nessa hora ele vem me lembrar que não importa as decisões que eu tome, as prioridades que eleja, as coisas que vou optar por abrir mão, a vida vai ser esse eterno shuflle. Vai sempre tocar a música que eu preciso ouvir.

A escolha é minha. E eu opto por escolher quem, o que e quando, somente no momento que tiver de ser. 2012, vem cá dar um abraço. Será do caralho.

Guilherme Vilaggio Del Russo

sábado, 5 de novembro de 2011

"o futuro é um labirinto."

Cheguei a ler teu horóscopo hoje pela manhã. Queria te entender melhor, você sempre tão oito ou oitenta. Esse seu desinteresse me deixa um pouco chateado, confesso. Desinteresse pela vida, você anda se contentando com seu passado. Existe uma vida aqui fora e você não faz ideia de quanto ela é colorida. Uma hora sua vida encostada no sofá da sala vai ter que terminar. Pouca coisa é muito quando não se tem nada.

E você não sabe, mas estou aqui de braços abertos te esperando pra dar um grande abraço e gritarmos "Oi, mundo!". E depois, a gente vai viver. Vai viajar também, é o que você mais quer. É tão confuso para mim nos imaginar de mãos dadas e ao mesmo tempo nunca me sentir confortável para falar com você sobre algo que não fosse a rotina de trabalho diário e sua preferência pelo rock.

Acredita em mim, seremos felizes. A gente sempre se desencontra, uma hora a vida erra o caminho e nos acerta. Temos tudo para dar certo, pelo menos é o que diz esse seu horóscopo.

Guilherme Vilaggio Del Russo