terça-feira, 8 de abril de 2008

Eu sou só eu...

Abri a gaveta e guardei o panqueke e o lápis de olho. Peguei o figurino e coloquei para lavar, mesmo sabendo que não haverá outra vez. Minha face pedia um pouco de água para me limpar, de tantos personagens durante esses 6 anos. Pela primeira vez, com a cara limpa e alma lavada, olhei-me no espelho e não vi nada mais que um rapaz de 19 anos. Mi vieram tantas falas, tantos gestos, bocas e caras que um dia já fiz, mas não são minhas. A partir de hoje, eu sou só eu...

Nestes 6 anos, o palco me deu a oportunidade de ser quem e como eu quisesse. E como me caiu bem essa idéia. Eu odiava ser eu mesmo, quando pequeno e buscava lá em cima, o meu refúgio, minha Terra-do-nunca. Fui mito, fui herói, fui parceiro, fui Eduardo, fui mocinho. Fui ladrão também. A partir de hoje, eu sou só eu...

Sentirei falta das borboletas brancas invadindo meu estômago e do antiquado método de “Merda” antes de cada apresentação. Como sentirei falta do calor do público chegando a mais um espetáculo, e eu ouvindo seus passos e gritos. “Eles estão lá fora e a culpa é de vocês. Eles estão lá, somente para ouvi-los.”,diziam os diretores. E é fato.

Todo ator tem seu papel perante a sociedade de atentar, mostrar e questionar toda nossa problemática diária. Saio convicto de que só destas maneiras lúdicas o ser humano vai se e nos compreender, em busca do comentado ( e não buscado), “mundo melhor”. E quando atingirmos, este patamar, o teatro-nosso-de-cada-dia terá cumprido o seu papel.

Eu poderia perder horas dizendo o quanto estar no palco me ajudou como homem, mas me contento em dizer que sou mais feliz.

Hoje, já não escuto mais o som abafado dos aplausos, nem tampouco emoções alheias, críticas ou elogios. Fiz e preciso continuar fazendo meu papel de cidadão, de homem, de ator. Cabe a cada um de vocês da platéia, ( seja a platéia de si mesmo, o tempo todo ) de nos questionar e formular hipóteses de como entender melhor tudo o que já foi dito.

Obrigado, teatro-nosso-de-cada-dia. Não, não leve isso como um adeus. Quem tem a arte independente no sangue, nunca renega suas origens. Leve como um... até logo. Hoje sou mais do que 1 em um milhão. Sou um milhão em 1. A partir de hoje, eu sou só eu...

Guilherme Vilaggio Del Russo.

5 comentários:

Livia disse...

Chorei! *-*

O Poeta de Banheiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O Poeta de Banheiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O Poeta de Banheiro disse...

Fla gui.
Seria o fim?
Como vc já está convencido que há esperança, só me resta dizer que o texto, e o blog em si, são mto bons.

Abração cara, vc me ajudou muito no teatro.

Já tá lá no meu blog como link.
até.
giuliano.

tania disse...

Lá na nossa última roda, no nosso último dia, antes do nosso último grito de "Merda!", eu olhei prá vc e tive certeza de que escreveria um texto com esse tema.
Não posso ter certeza se já estava pensando em como seria esse texto, mas que pensou em escrever, isso pensou! 8^)
Minha intuição funcionou. Deve ter sido a energia boa, a saudade antecipada e a sensibilidade presente em todos os poros. Todos os nossos poros.
Beijo grande!