domingo, 6 de fevereiro de 2011

Crônicas de um tempo não tão distante

De longe, bem do alto, sentado em seu trono ele vê que as paredes começam a desmoronar. Seu castelo está sendo tomado por todos os lados e nos rostos de seus vassalos, percebe que a esperança encontra-se há kilômetros. Rezar agora não é uma opção, nunca foi. Não são só as paredes que começam a cair, mas suas promessas também. As pessoas não confiam mais em seu rei. As épocas de crescimento vertiginoso e de ressaca moral ficaram somente nos livros e ontem, quem era amigo, hoje quer sua cabeça exposta em praça pública. Suas palavras que antes soavam como lei, hoje não passam de zombação. Ele tinha uma imagem a zelar e parece que esse porteiro não vai aguentar muito mais.

O rei está atônito e não sabe por onde começar. Nem se vai começar. Sua presença antes, tão adorada, em minutos se tornaria só mais um corpo estendido pelos corredores. O mundo costumava ser bom e decente para aqueles que tinham como principais armas a verdade e a honestidade. Onde será que ele se perdeu? Qual lição ele não havia aprendido nos campos de batalha que um dia foram seus? Ontem ele era unanimidade hoje era decepção.

Os sinos da derrota começaram a tocar. Assim como nas vitórias, o rei também decide ficar e aceitar a derrota como homem. Vê na corda pendurada uma chance de morrer. Como covarde. Nunca foi desses. Ele nada se arrepende das coisas que fez. Ele só se arrepende de não ter vestido a máscara da alegria por mais tempo e de ter tentado agradar a todos. O rei morre sozinho, em sua cadeira, "de longe, bem do alto", imerso em pensamentos e acreditando que morrer apoiado em crenças era deixar a sua marca no mundo.

Guilherme Vilaggio Del Russo

Um comentário:

carlos emanuel bezerra alves disse...

bonito é isso que nos ajuda a crescer