sexta-feira, 9 de março de 2012

A casa triste

6 horas da manhã e pra me sacanear, eu levanto. Lá fora, um sol que ri da minha cara de sono e meu cão chorando por estar preso. Preso parece estar eu, porque essa noite foi foda. 1 minuto dormindo, 3 pensando que é preciso ter muita gana. "O que eu vou fazer pra me mudar amanhã?". Pego a corrente do vira-lata e saimos juntos, na cabeça a dúvida se faço isso realmente por ele.

Hoje eu estava puto da vida e com a mesma. A mesma estúpida sensação de que basta seguir caminhando mas que Deus é um grande GPS desatualizado. Algumas ruas contra-mão, caminhos mais longos, placas de "proibido parar". Mas trajeto traçado. Como é difícil engatar essa 3ª.

A verdade é que não anda fácil. É preciso se provar dia após dia que você é capaz. É exercício diário e se não faço, me esqueço. Das vitórias eu nem me lembro, mas as brigas e confrontos ficam remoendo aqui dentro. Que fase, que frio. Acho que meu cão está cansado. E eu idem.

Cansado e tão descrente que penso em pegar a bíblia. Droga. Troquei ela em um sebo por um livro do Chico. "Aprende, Guilherme", ás vezes sozinho não dá.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

meus próximos 12 meses.

Comecei o ano no shuffe. Claro, nada mais óbvio para alguém como eu que não consegue tomar uma decisão com facilidade. Deixei as escolhas a esmo. Ele normalmente tem a razão. As músicas que tocam tem caído bem. Me feito bem. A gente vive ouvindo a mesma música por tanto tempo que esquece de abrir, um poquinho que seja, os olhos para o redor. Ou os ouvidos.

Pra este 2012 escolhi que preciso de foco. Preciso aprender a abrir mão, a ter prioridades, a dizer não. É difícil, são 23 anos tentando não desagradar ninguém. "Mas a vida é assim, Guilherme, deixa de ser muleque". Palavras do meu subconsciente. Ok, nada de auto-piedade, essa nunca foi uma das minhas qualidades mesmo.

Este ano não quero abdicar do meu direito universal de sonhar. Tendo sido tão racional nos últimos tempos que sou pura matemática. Certa, correta, precisa, que não deixando sombra de dúvidas. Chata, no final das contas. Quero me perdoar mais, conhecer quem está me esperando, aprender o que sempre fui contra, acreditar mais em superstições e pedir desculpas a Deus. Sim, cada vez estamos mais distantes. Mas trata-se de uma relação de confiança, cada um trabalha do seu lado. Ás vezes de auto-confiança. Em excesso. E aí, nessa hora ele vem me lembrar que não importa as decisões que eu tome, as prioridades que eleja, as coisas que vou optar por abrir mão, a vida vai ser esse eterno shuflle. Vai sempre tocar a música que eu preciso ouvir.

A escolha é minha. E eu opto por escolher quem, o que e quando, somente no momento que tiver de ser. 2012, vem cá dar um abraço. Será do caralho.

Guilherme Vilaggio Del Russo

sábado, 5 de novembro de 2011

"o futuro é um labirinto."

Cheguei a ler teu horóscopo hoje pela manhã. Queria te entender melhor, você sempre tão oito ou oitenta. Esse seu desinteresse me deixa um pouco chateado, confesso. Desinteresse pela vida, você anda se contentando com seu passado. Existe uma vida aqui fora e você não faz ideia de quanto ela é colorida. Uma hora sua vida encostada no sofá da sala vai ter que terminar. Pouca coisa é muito quando não se tem nada.

E você não sabe, mas estou aqui de braços abertos te esperando pra dar um grande abraço e gritarmos "Oi, mundo!". E depois, a gente vai viver. Vai viajar também, é o que você mais quer. É tão confuso para mim nos imaginar de mãos dadas e ao mesmo tempo nunca me sentir confortável para falar com você sobre algo que não fosse a rotina de trabalho diário e sua preferência pelo rock.

Acredita em mim, seremos felizes. A gente sempre se desencontra, uma hora a vida erra o caminho e nos acerta. Temos tudo para dar certo, pelo menos é o que diz esse seu horóscopo.

Guilherme Vilaggio Del Russo

sábado, 8 de outubro de 2011

quando ela está por perto.

lá vem ela de novo,
me pergunta se pode repetir
com seu jeito deselegante de andar,
um pouco anos 50. Não se importa.
ela faz questão de mostrar seu novo vestido
e me faz mais feliz por perguntar como foi meu dia
sorriso sincero,
não dá pra não retribuir quando ela diz estar com saudades
e pra aparecer mais, pra lembrarmos do nosso passado
de um tempo que caminhávamos de mãos dadas.
continua amando as músicas de ontem
e sua vitrola de casa não é vintage, ela jura.
a gente se divertia com tão pouco, lembra?
bastava uma meia dúzia de palavras cruzadas
ou uma viagem juntos
pra deixar claro que amor como esse
distância alguma poderia quebrar.

e sem graça, no final do jantar
me puxa de canto e me pergunta, de novo
sutil, como sempre foi pela vida inteira
- Posso repetir?
- Pode, vó, claro. Só hoje, sem abusar.

Guilherme Vilaggio Del Russo

ps: para Clarice Aparecida Dias Vilaggio, que com o cabo da vassoura me ensinou que a vida é mais do que escrever em um blog e menos difícil do que a gente imagina.