sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olá, 22 anos.

A boa vontade velada com o cego, a nova pintura de casa e esse violão preto me fazem acreditar um pouco mais no mundo. Eles são o aspecto imperceptível de uma alegria minha que teima em se esconder ás vezes. Estar de bem com o espírito e com o mundo não é nada mal. Um mundo que pesa demais. Que almeja de menos. Mas, é sempre bom ir contra a corrente.

Espero passar mais tempo com meu pai. Ou pelo menos dizer que vou passar e poder bebericar umas a mais. E não precisar arcar com as consequências, contas e causalidades. Algumas coisas eu deixei para trás, outras eu deixei passar mesmo. Você fica mais velho e a primeira coisa que a vida te dá são só escolhas. Nada muito concreto, com exceção das chaves deste Celta 1.0. Sempre foi sofrido e agora não há de ser diferente. Mais uma primavera para ver e passear no Ibirapuera.

Não há limite de altura mesmo a aqueles que optam pelo raso pé no chão. Viu como dá pra crescer e sonhar alto? Você determina seu sonho não pela intensidade a qual o sonha, mas pela qual você o vive. E isso é o que faço de melhor. Olá, 22 anos.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ímpar (A dor do Mário).

Não há dor que doa mais
do que a dor de ser ímpar
de não se ter destinatário
e coração que não se limpa

Não há dor que doa mais
do que a dor de ser ímpar
de ter que rir de si mesmo
porque a vida não se anima

da rua calada que me mima,
vestígios de uma noite longa
que eu ainda vou lembrar

porque, não me acostumo a aceitar:
Não há dor que doa mais
do que a dor de ser ímpar


Guilherme Vilaggio Del Russo
texto para Mário Benedetti, autor de "Triste o Buena".

sábado, 12 de junho de 2010

Era você, de Aracaju.

Lembre-se deste dia como a simples continuidade de vidas que se encontraram e que hoje buscam um denominador comum. De um casal que de tão diferente entre si, torna-se único. Assim como os momentos no seu sofá-cama. A toalha deixada propositalmente na sua cama é pra fugir da rotina e te ver, pelo menos por um dia, brava. Você é a personalização do carisma. Carisma esse que é contra peso do meu mal-humor.

Obrigado por me fazer engolir essa boa dose do meu orgulhor mais alguns copos de whisky em festas free. Não se deixe leva se outros falam que não entendem o seu sotaque. Você já fala a minha língua, o que é o bastante. Lembre-se deste dia como um momento que duas mãos se entrelaçaram e resolveram ir longe, muito longe, "sin perder la ternura jamás."

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Em um dia de frio.

Nesses dias de frio, estava voltando para casa em um taxi depois de um dia intenso de trabalho. O motorista ouvia uma dessas rádios impublicáveis. Essas rádios que tentam ser cobertor com uma série de palavras de conforto. Fico imaginando como que as pessoas ainda ouvem esse tipo de bobagem. Tudo se escuta, nada se absorve. E lá presenciei uma explicação entre a diferença de esperança e fé.

É como se existisse um abismo separando essas dois substantivos. É como comparar sonho e atitude. Palavras estas que se diferem nos tempos verbais da vida de qualquer ser humano. Quantos não se rezam para que uma não seja subjetiva demais e outra só existe justamente por ser isso. A fé é nada mais do que o apelo final. É o estágio seguinte para quem perdeu a esperança e seus objetos: em Deus, em si mesmo, nos outros.

Muitos tem esperança e poucos tem fé. Fé, mais do que palavras, é ver diferente. Sentir e saber distinguir o que é necessário passar nessa vida única. Não é torcer por dias melhores. É saber lidar com os mesmos. Esperança, antes de tudo, é um sentimento de angústia de insatisfeitos. E, não me entendam mal, isso não é ruim. Quem não se contenta, muda o mundo. É só diferente. Eles querem mudanças. E se forem drásticas, melhor ainda.

Mas não é assim com a fé. Fé não é algo momentâneo, se conquista depois de esperanças perdidas. Entende-se e ponto final. Como disse anteriormente, é um degrau acima da esperança. E por ser tão mágico, é capaz de milagres. Mas também pode-se tombar. Quantos não vemos perdidos em uma fé cega nessas "igrejas de quartinho". Na minha terra chamamos de desespero.

São duas formas de encarar o mundo. É preciso saber escolher o momento certo de viver cada um. Saber que cada um tem o preço, seu prazo e sua recompensa. Mas mais importante que isso, é preciso saber distingui-los.

Pelo menos, foi o que deu na rádio.

Guilherme Vilaggio Del Russo.