domingo, 6 de fevereiro de 2011

Crônicas de um tempo não tão distante

De longe, bem do alto, sentado em seu trono ele vê que as paredes começam a desmoronar. Seu castelo está sendo tomado por todos os lados e nos rostos de seus vassalos, percebe que a esperança encontra-se há kilômetros. Rezar agora não é uma opção, nunca foi. Não são só as paredes que começam a cair, mas suas promessas também. As pessoas não confiam mais em seu rei. As épocas de crescimento vertiginoso e de ressaca moral ficaram somente nos livros e ontem, quem era amigo, hoje quer sua cabeça exposta em praça pública. Suas palavras que antes soavam como lei, hoje não passam de zombação. Ele tinha uma imagem a zelar e parece que esse porteiro não vai aguentar muito mais.

O rei está atônito e não sabe por onde começar. Nem se vai começar. Sua presença antes, tão adorada, em minutos se tornaria só mais um corpo estendido pelos corredores. O mundo costumava ser bom e decente para aqueles que tinham como principais armas a verdade e a honestidade. Onde será que ele se perdeu? Qual lição ele não havia aprendido nos campos de batalha que um dia foram seus? Ontem ele era unanimidade hoje era decepção.

Os sinos da derrota começaram a tocar. Assim como nas vitórias, o rei também decide ficar e aceitar a derrota como homem. Vê na corda pendurada uma chance de morrer. Como covarde. Nunca foi desses. Ele nada se arrepende das coisas que fez. Ele só se arrepende de não ter vestido a máscara da alegria por mais tempo e de ter tentado agradar a todos. O rei morre sozinho, em sua cadeira, "de longe, bem do alto", imerso em pensamentos e acreditando que morrer apoiado em crenças era deixar a sua marca no mundo.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

AB +

Há determinadas pessoas que deixam marcas durante sua breve respiração mundana. Existe outro tipo de ser que passa em nossa vida e deixa aprendizados. Há ainda quem nos encontra no meio do caminho e você se pergunta como pode viver até ali sem conhecê-la antes. Mas há aquele tipo de pessoa que muito mais do que amar, você respeita, respira junto e enxerga como ser humano completo. E esse tipo, ah, esse tipo, como diz aquele outro, é imprecindível. Que sejamos dessa "turma do fundão", recessiva e escondida. E um pouco mais além.

Guilherme Vilaggio Del Russo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A vida como ela é.

Era uma dessas noites meio mais ou um pouco mais que ele descobriu que a sorte ainda lhe soprava alguns conselhos. Disse-lhe em voz baixa que talento era só metade de uma vida plena. Que o resto era puro coração e uma história bem contada. Haveria de agradecer a Deus tão somente pela seqüência de dias e por ter criado a segunda chance, tendo em vista que errar será sempre eminente. Ele entendeu, inventou sua própria bíblia numa caixa de emails e sentenciou ao mundo em alto e bom tom: por ora prefiro pequenas conquistas constantes.

Guilherme Vilaggio Del Russo

sábado, 13 de novembro de 2010

Côncavo e Convexo.

Dia cinza e eu estava esperando um desses pra falar com você. Mas não começe de novo com esse papo de matar o tempo de rezar para dar tempo de comer. Mau hábito este o seu de confundir prioridades e se afogar na razão. Deve ser chato saber o que vai acontecer nas próximas 2 horas. "Minha vida é minha agenda de compromissos." Ah, não seja arrogante! Até outro dia o único compromisso que você tinha era consigo mesmo.

Tá, tá, eu já entendi. Certas falas tuas eu já decorei e você me diz que é porque é preciso sobreviver. Aí está o problema. É preciso tão somente, viver. Parece que você anda esquecendo certas promessas que fez a mim. E deixando alguns discos de lado. Quantas oportunidades você desperdiçou porque considerou traumas do passado. Viu, que tolice? Mas eu ainda acredito em você. Seu sorriso está guardado na minha carteira pra me lembrar sempre. Há de se continuar trabalhando mas sonhando também, combinados?

Preciso dar uma passada de flanela neste espelho.

Gulherme Vilaggio Del Russo