Guilherme Vilaggio Del Russo.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sobre o nosso último romance.
que saudades que eu tenho daqueles dias. dias que a gente inventou uma paixão, que a gente fechou os olhos pro futuro e quis viver só o nosso cinema cult. dias que foram poucos dias, suficientes entretanto para deixar uma ácida marca de saudades dos seus pés pequenos. demorei tanto para ter a claridade dos teus olhos por perto que quando tive, não soube valorizar. fui orgulhoso e deixei reticências nessa nossa conversa antiga. talvez seja isso o que mais me dói. a história daquele filme parecia prever um futuro breve e a tua música eu já tirei da playlist (ela insiste em tocar nas rádios, fique tranquila). era um frio de Junho, parecido com esse vazio que você deixou na minha cabeça. você não lê muito as coisas por aqui, por isso resolvi entregar que fui muito longe por você. até criar um texto sem respeitar as maiúsculas eu criei. penso em dizer tanta coisa que reuni nesse tempo todo que eu torço pra esquecer ao passar dos anos. não sei dizer se tudo isso foi um adeus. é que a gente nem tchau se deu. e isso machuca.
sábado, 19 de março de 2011
tropeços
se bem nesse dia fosse visto
aquele pôr do sol perfeito
e tivéssemos investido nisso
só a amizade não teria efeito
se o barco tivesse virado
e seu corpo estivesse no rio
torceria para não estar acordado
e a verdade passado por 1 fio
você sabe que não tem jeito
de dar certo, de acabar bem
e se seu pedido tivesse sido aceito
teria ferido nosso outro alguém
não queira sofrer assim
mas do que um dia imaginou
até porque está longe de ter fim
aquele caso que a gente começou.
Guilherme Vilaggio Del Russo
terça-feira, 1 de março de 2011
um breve comentário sobre nós
Engraçado, a palavra escritor não tem muito significado se olharmos no dicionário. A explicação, o porque de existir e o potencial depende daquele que se considera um. Cheguei em uma conclusão bem passível de erro: escritor é o aquele que se finge de autor só para ser comercial. Às vezes por dinheiro e outras vezes..também. Que pena. Deveria tratar-se do cara a espalhar gentileza no ventilador, destilar veneno em rimas pobres e ainda por cima achar bonito. De única função ser o responsável em transformar tempo em palavras, de encantar com tristeza e te conquistar com adjetivos. O escritor é um pouco de todos nós e muita coisa de mim mesmo. Um cara jurado de morte pela interatividade, mas que de tão teimoso, fez disso poesia. Pessoa esta que espera sua vez desde os tempos mais antigos. Ele pode não ter cara, não tem fama, mas que assina. Um cheque em branco, sem valor definido a não ser pelo que tenta fazer de melhor: escrever.
Guilherme Vilaggio Del Russo
Guilherme Vilaggio Del Russo
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Crônicas de um tempo não tão distante
De longe, bem do alto, sentado em seu trono ele vê que as paredes começam a desmoronar. Seu castelo está sendo tomado por todos os lados e nos rostos de seus vassalos, percebe que a esperança encontra-se há kilômetros. Rezar agora não é uma opção, nunca foi. Não são só as paredes que começam a cair, mas suas promessas também. As pessoas não confiam mais em seu rei. As épocas de crescimento vertiginoso e de ressaca moral ficaram somente nos livros e ontem, quem era amigo, hoje quer sua cabeça exposta em praça pública. Suas palavras que antes soavam como lei, hoje não passam de zombação. Ele tinha uma imagem a zelar e parece que esse porteiro não vai aguentar muito mais.
O rei está atônito e não sabe por onde começar. Nem se vai começar. Sua presença antes, tão adorada, em minutos se tornaria só mais um corpo estendido pelos corredores. O mundo costumava ser bom e decente para aqueles que tinham como principais armas a verdade e a honestidade. Onde será que ele se perdeu? Qual lição ele não havia aprendido nos campos de batalha que um dia foram seus? Ontem ele era unanimidade hoje era decepção.
Os sinos da derrota começaram a tocar. Assim como nas vitórias, o rei também decide ficar e aceitar a derrota como homem. Vê na corda pendurada uma chance de morrer. Como covarde. Nunca foi desses. Ele nada se arrepende das coisas que fez. Ele só se arrepende de não ter vestido a máscara da alegria por mais tempo e de ter tentado agradar a todos. O rei morre sozinho, em sua cadeira, "de longe, bem do alto", imerso em pensamentos e acreditando que morrer apoiado em crenças era deixar a sua marca no mundo.
Guilherme Vilaggio Del Russo
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