2 e 44 da manhã, whisky daqueles nacionais e duas pedras de gelo. O auge de meus 23 anos e você. Em pensamento, claro. Ninguém pensou que seria fácil.
Tô te vendo de longe faz um tempo e daqui de cima me parece que você caminha bem. O marca páginas da minha vida é que anda parado. Confesso: eu preciso de todo o cuidado. Minhas camisas xadrez também. Tem uma velha, branca e cinza que me lembra muito você, de quando a única preocupação era quem acaba primeiro a cerveja do boteco.
Mas aí vem a notícia boa: eu ainda sou o mesmo. Você diz que não é, mas ouvi de canto que você aprendeu a mentir. Que bom. Depois, vem a notícia ruim: eu preciso andar. Inclusive, eu também preciso respirar. Pra mim, um é consequência do outro. Te mando carta, te faço um texto. Mas vou caminhar. Eu preciso me achar. Um dia eu volto mas me custa acreditar que você vai estar na porta da sua casa, de pijama, dizendo (com o sorriso mais lindo do planeta) "Entra que tá frio". A merda é que eu sou um otimista por natureza. E distante por necessidade.
Sabe, não vou culpar a ninguém. Quem em sã consciência começaria algo pensando no fim. Não faz muito sentido, você deveria saber. O mundo não pode ser tão chato assim então acabei de abrir a segunda latinha de cerveja. Vou misturar mesmo e rezar pra que isso faça sentido amanhã. E não faça estrago no estômago.
E olha aí, já vem vindo a saudade me pedindo um espaço. E tem como não dar abrigo? Aquele dia dentro do carro na ladeira foi incrível, não é? Bons momentos. Mas você vai encontrar alguém que te faça ainda mais feliz. E eu vou...me encontrar, por ora. Pra mim, é o primeiro passo. Que eu nunca seja o cara de um texto, mas sim o cara da lembrança. Pura, genuína, natural. Como a gente foi. Ou será?
Guilherme Vilaggio Del Russo.
domingo, 13 de maio de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A história de Jacks e o Sabiá
Menino-homem, homem-menino
de meia idade
esqueceu de crescer
e foi viver de verdade
foi se encontrar com Deus
e perguntar porque foi escolhido
pra ser daquele jeito
eternamente menino
alma leve, coração puro
escondido em uma ilha, por lá viveu
não deixou filho, filha
e tá indo "pra um lugar todinho meu"
e agora que me dei conta
que o inocente sou eu
porque fui obrigado a caminhar
e de qualquer obrigação, ele se esqueceu
você veio e ensinou
que viver preocupado é grande bobagem
mas chegando lá em cima, não esqueça de ligar dizendo
"fiz boa viagem".
que exemplo, que sorte a tua
de ter vivido só a juventude
a vida em sua amplitude
a carne estava com sal mas a poesia é sua
E foi assim, sonhando em tempo integral
que viveu o cara libertino
mostrando que não há nenhum mal
ter na raiz a grandeza de ser menino
Guilherme Vilaggio Del Russo
* em homenagem a Jacks Jairo Wiesen Thiesen, falecido no dia 19/04, vítima da escolha divina pelos puros e bons.
sexta-feira, 9 de março de 2012
A casa triste
6 horas da manhã e pra me sacanear, eu levanto. Lá fora, um sol que ri da minha cara de sono e meu cão chorando por estar preso. Preso parece estar eu, porque essa noite foi foda. 1 minuto dormindo, 3 pensando que é preciso ter muita gana. "O que eu vou fazer pra me mudar amanhã?". Pego a corrente do vira-lata e saimos juntos, na cabeça a dúvida se faço isso realmente por ele.
Hoje eu estava puto da vida e com a mesma. A mesma estúpida sensação de que basta seguir caminhando mas que Deus é um grande GPS desatualizado. Algumas ruas contra-mão, caminhos mais longos, placas de "proibido parar". Mas trajeto traçado. Como é difícil engatar essa 3ª.
A verdade é que não anda fácil. É preciso se provar dia após dia que você é capaz. É exercício diário e se não faço, me esqueço. Das vitórias eu nem me lembro, mas as brigas e confrontos ficam remoendo aqui dentro. Que fase, que frio. Acho que meu cão está cansado. E eu idem.
Cansado e tão descrente que penso em pegar a bíblia. Droga. Troquei ela em um sebo por um livro do Chico. "Aprende, Guilherme", ás vezes sozinho não dá.
Guilherme Vilaggio Del Russo
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
meus próximos 12 meses.
Comecei o ano no shuffe. Claro, nada mais óbvio para alguém como eu que não consegue tomar uma decisão com facilidade. Deixei as escolhas a esmo. Ele normalmente tem a razão. As músicas que tocam tem caído bem. Me feito bem. A gente vive ouvindo a mesma música por tanto tempo que esquece de abrir, um poquinho que seja, os olhos para o redor. Ou os ouvidos.
Pra este 2012 escolhi que preciso de foco. Preciso aprender a abrir mão, a ter prioridades, a dizer não. É difícil, são 23 anos tentando não desagradar ninguém. "Mas a vida é assim, Guilherme, deixa de ser muleque". Palavras do meu subconsciente. Ok, nada de auto-piedade, essa nunca foi uma das minhas qualidades mesmo.
Este ano não quero abdicar do meu direito universal de sonhar. Tendo sido tão racional nos últimos tempos que sou pura matemática. Certa, correta, precisa, que não deixando sombra de dúvidas. Chata, no final das contas. Quero me perdoar mais, conhecer quem está me esperando, aprender o que sempre fui contra, acreditar mais em superstições e pedir desculpas a Deus. Sim, cada vez estamos mais distantes. Mas trata-se de uma relação de confiança, cada um trabalha do seu lado. Ás vezes de auto-confiança. Em excesso. E aí, nessa hora ele vem me lembrar que não importa as decisões que eu tome, as prioridades que eleja, as coisas que vou optar por abrir mão, a vida vai ser esse eterno shuflle. Vai sempre tocar a música que eu preciso ouvir.
A escolha é minha. E eu opto por escolher quem, o que e quando, somente no momento que tiver de ser. 2012, vem cá dar um abraço. Será do caralho.
Guilherme Vilaggio Del Russo
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