domingo, 1 de julho de 2012

Vinte e sete de Agosto

Querida,


deve estar frio por aí, eu sei. Aqui até que o céu anda aberto, mas nem por isso as coisas tem sido mais fáceis. Nesses dias cheguei a conclusão de que você realmente não me conhece muito bem. Se você tivesse me deixado ser o que sou, veria que eu não sou tão difícil de me entregar assim. E que me entreguei. Tenho pensado muito de que era pra ser e a gente não quis.


Não há uma maneira simples de assumir que não escolhemos o caminho que havia sido feito pra gente. E isso me assusta, linda. Porque foi ontem, ali naquele boteco aberto na cidade fechada. Você falava alguma coisa, eu concordava, você me escolheu primeiro, eu te imaginei por livros e viagens, era a dose de loucura ideal pra alguém que tinha sede disso. Acho que foi ali que percebi que queria passar o resto da minha vida tomando aquele 1.3 litros de cerveja. Claro, a cerveja era ótima, mas ainda preferia seu sorriso.


Você é do tipo louca, aquelas neuróticas, do tipo que me faz sorrir e pedir pra não adiantasse o relógio da vida. Mas eu te escolhi, então essa é a boa notícia. A ruim vem agora. O prazo de validade do seu amor venceu e só me traz hoje na boca um sabor insosso. Você anda distante o suficiente pra buscar comparação. E  hoje tenho a impressão de que a gente vai se perder lá fora. Quando olharmos o calendário e as fotos, veremos que o momento de mudar tudo se foi. E nos caberá aceitar. 


Não querida, não. Eu não esqueci das datas importantes. Eu sofro com uma péssima memória mas tenho um pré-disposição para achar que escrevo bem e fiz do título uma cola pra me fazer lembrar. Lembro também que você faz um ótimo risoto e isso deve valer pra alguma coisa. Assim como seu abraço. Era como o vinho, com cheiro de espera, saudade. Quanto mais demorasse pra acontecer, mais gostoso.


Eu não consigo encontrar uma argumento pra fazer com que você ainda acredite e gaste seu tempo comigo. Mas,  que merda, a gente no seu cobertor era ótimo e não pode ter acontecido sem querer, você sabe.


"Infielmente seu",
Guilherme Vilaggio Del Russo


"Si escribo algo, temo que suceda, si amo demasiado a alguien temo perderlo; sin embargo no puedo dejar de escribir ni de amar."

6 comentários:

Jéssica França disse...

É... Despedidas são dolorosas.

Antônio Fernandes disse...

Olá Guilherme,

Suas Crônicas são muito bem produzidas, retratando seu cotidiano de forma imprecionante. Meus parabéns e sucesso, haja vista, gostar de escrever.

Anônimo disse...

È o amor da despedida dÒi mai È assim passa

Aline Borghi disse...

Infielmente seu.........uau.....

dissertation services review disse...

To get as interesting)) you know how to draw =)!!

Thalita Costa disse...

Vou roubar esse! o.O