quarta-feira, 9 de julho de 2008

Você, sempre.

E não mais do que de repente bateu uma saudade imensa de te ligar. Não deu outra, peguei o telefone no mesmo instante. Nessa vida a única coisa que a gente não pode é passar vontade de fazer acontecer. Inventei uma desculpa esfarrapada quando na verdade queria só te ouvir. E já naquele seu alô meio diferente, meio indiferente pra mim, senti que algo tinha mudado. Pra pior.

Você já não deu atenção pra minhas histórias mirabolantes. Não falou da sua saudade, não falou que queria me ver, muito menos cantou um pedacinho da música que fazia a balada da nossa história. Me falou de amigos seus que nunca vi, de coisas que estranhei você fazer, de um jeito que nunca tinha me machucado como aconteceu ontem. Eu sei que preciso parar com essa mania ridícula de querer ouvir das pessoas o que eu quero ouvir.

A mania de achar que o mundo gira ao meu redor, eu já larguei, e você que me ensinou. Sei lá, talvez tenha te ligado pra te agradecer, pra pedir pra você ir lá em casa e dizer que sinto sim, saudades.Não foi bem o que aconteceu.

Sei que a vida não é como a gente sempre sonha. Mas, por favor, não mude porque a sociedade lhe pede isso. Futilidade não combina com você, nem o seu “alô indiferente”.Era tão bom te ver dizendo que queria mudar o mundo, que até me dava esperança. A mesma esperança que terminou ontem quando desliguei o telefone e percebi você tão longe. Longe de mim, longe de tudo, longe do que você mesma já foi um dia.

Não mude. A vida lhe pede uma outra pessoa? Dê a ela uma. Personagem. E seja
você, sempre.

Guilherme Vilaggio Del Russo.

3 comentários:

Tháta Caringe disse...

Adorei o texto , Gui...
Concordo, sim ! Precisamos de
personagens , mas não 24h por dia,
todo dia né... E como diz Fe Anitelli:

" muitas vezes temos que nos despirmos
(e nos despedirmos) de nossos personagens
pra encarar nosso outro eu!
Nosso eu supostamente mais livre!"

;)

Beeijo Gui...
e parabéns pelos textos!

Thá =] disse...

Ahhhh acho q quero ter mais personagens =]

e pode deixar q te indicarei pro Wolf Maia hahaha

Adoro..beijos!

Bruna disse...

Seria tão bom se pudéssemos escolher quem somos, mas só podemos escolher o personagem que seremos naquele instante...
Mas personagem nenhum se sustenta por muito tempo e aí fica o dilema: inventar outro ou mostrar quem realmente vc é?!

Essa resposta nunca teremos, o que podemos fazer é ir tentando acertar como personagem ou como nós mesmos, às vezes conseguimos e outras tantas, levamos tombos imensos!!! O que realmente importa é viver e tentar....

Mas daí fica a maior dúvida de todas: viver uma vida real ou apenas um teatro???
Cada um deve fazer sua escolha e o mais difícil é saber que não existem regras que digam quando usar um ou outro....




Adorei o texto como sempre, Gui.
Beijossss