quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Quase Botas Batidas

E essa alegria quase infantil, que acabou por tomar conta do meu corpo, já cansado, quando Deus me deu a oportunidade de voltar e sentir tudo com outros olhos. O sorriso amarelo que voltou, o cigarro que ficou pra trás de uma vida que se confunde entre estar bem e fazer o bem. Essa minha risada descontrolada que hoje eu mal ouço, mas que pouco importa, é a forma de agradecimento sincero pra aqueles que estiveram comigo quando minha cama não queria me deixar caminhar sozinho. O gesto de criança é acenar pro medo da morte e lhe dizer, “tchau!”.

Hoje e amanhã, e qualquer outro dia que venha a ser bonito ou feio, eu continuarei em dívida com aquele que optou por me deixar mais um pouco pra crer e acreditar na boa vontade dos homens. Ainda reclamam da maldita mania que tenho de comprar relógios como se esquecessem que isso é forma lúdica de contar quanto tempo tenho para viver uma segunda chance. Leio nos lábios de vocês a mensagem que eu parecia ter esquecido: que eu ainda posso viver feliz, apesar dessas mãos calejadas. Não, a dó eu desprezo, e a pena se foi com aquela imagem do rapaz frágil que chorava pedindo desculpa pelo trabalho. Sou um pobre velho que se confunde com o novo prazer de sentir-se capaz de tudo. Novamente.

Aquele barulhinho animado dos pássaros se foi, mas veio o som (e as palavras) de mensagens que recebo e que me confortam, que me fazem seguir adiante, mostrando que o meu apartamento vazio é meramente ilustrativo.


Guilherme Vilaggio Del Russo

3 comentários:

Adriane disse...

Fantastico jeys!
pois eh..a boa vontade do homem de la de cima eh tao diferente da boa vontade dos daqui de baixo...=\
ate me surpreende..

gostei do texto,como nao havia de ser diferente!
um beijo entao!

O Poeta de Banheiro disse...

To fodido meu nego. larguei o livro.

muto positivo num momento de trevas. daqui a pouco tudo ilumina e o livro vai facinho.

é que o som dos pássaros ainda não se escuta. só de gente passando extremamnete rápido.

Bruna disse...

Incrível como num corpo jovem nos sentimos velhos demais às vezes, e aí percebemos q o tal relógio ainda tem tantas horas pras nossas vidas.....
Daí temos q deixar pra trás algumas coisas e recomeçar um novo padrão, e talvez nesse novo padrão possamos olhar menos pra esse relógio, possamos ouvir mais os sons dos pássaros e o apartamento talvez não fique tão vazio.....


Ameiiiii o texto
Beijosss raro