sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Faz Cena

Olho para cima e nada. Essa chuva que já deu o ar da graça mas que entre outra e uma, insiste em ficar por cima. Sempre tão afinada quando cai. Mas toda chuva traz chiado, traz chuvisco. Traz rabisco também. Cheiro de chuva que traz lembranças de momentos que eu provavelmente não estaria dando a mínima para ela. Mas cá estou eu, de vontade louca de fazer uma porção de coisas, indo fazer justamente o que não quero.

Só essa chuva para lembrar dos guarda-chuvas que abandonei pelo caminho. Das pessoas com as quais eu o dividi, também. Tudo é questão de e do tempo. E hoje chove como nunca, me trazendo o sono de sempre. Cai logo! Pra me trazer esse desejo de esquecer tudo que faço por obrigação. Você, que foge das explicações racionais dos dicionários. Você, a qual encaro diferente, de frente. Você que, pra mim, é muito mais que condensação de um dia cansativo. É um eufemismo na hora de encarar a vida.

Guilherme Vilaggio Del Russo

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pai nosso, que estás na esquina.

A décima-primeira peste. Algo que se espalha na velocidade da luz, com a intenção de levar-nos até a mesma. Em toda esquina, em cada ex-bar, uma fé que só muda de nome. As mentiras são as mesmas. Enriquecimento barato em cima da humildade da reza. Não importa se estás de joelhos, mas se estás disposto a abrir mão do seu sustento, daquilo que você reza para não perder em vão. Peço que, se alguém que olhe por nós esteja aí em cima, que peça para aqueles que acreditam tão piamente em ti, que acreditem ainda mais em si mesmos. Somos capazes de enfrentar sozinho o que vier. E de cuidar daquilo que, por sinal, ganhamos com suor. O peso nas costas é o mesmo que o dEle, só muda o objeto levado por ela.

Nunca fui de acreditar a primeira vista e não vai ser agora que, esses falsos pregadores de esperança, vestidos de terno vão me fazer desistir de mim e jogar na mão de Deus.Qual dos deuses? Aquele que converso todos os dias como amigo ou daquele inventado por discursos capitalistas que faz do Céu um open-bar de felicidade mediante pagamento? Uma mão que deveria oferecer ajuda, mas que só pede cheque calção para a redenção. Até quando vamos nos deixar enganar por gritos que chamam quem deveria estar perto? Até quando nos colocaremos em segundo plano e nos cegaremos para um fanatismo que não abre mares, mas sim sua conta bancária? A fé que deveria mover montanhas, movendo milhões. De dinheiro. Por Deus, de onde vem essa fé?

Guilherme Vilaggio Del Russo.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cadeira de praia, um Martini e duas pedras de gelo.

Movimento-me em cores vivas porque estou cansado do cinza matinal. Pauso e questiono minha inabalável fé, dividida em discursos engessados das igrejas e no meu pescoço. Esta fé que mais parece uma bexiga, tamanho que depende de quanto esforço faço para acreditar nela. Invento planos e decido com quem vou dividir essas mentiras. Escolho a mim, já que jurei sinceridade ao resto do mundo.

Lembro-me de todos meus amores e de nossas fotos tiradas juntos. Pena que eram polaroids que hoje são só papel branco, servindo como alicerce de textos como esse. Todas as noites ensaio falas de um texto chamado felicidade. Pena que eu ainda não decorei. O mundo não me ensinou muita coisa e, das que lembro, metade falava sobre amor. A outra metade, eu fiz questão de esquecer.

Guilherme Vilaggio Del Russo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Daqui de cima

Estava perto, tão perto de descobrir o que eu queria ser.
Embarquei em um sonho e talvez eu não venha a descer.
Por detrás de sorrisos, castelos eu encontrei,
guarde com vocês estas fotos para que não precise esquecer.

Olha, estão vindo de lá! Não fique com medo de onde vou ficar...

Com sombra de princesa,
sei que deixo a tristeza.
Mas entenda, eu só queria brincar.
Ele fez um convite e não pude recusar.

Daqui de cima, vejo
o contraste entre respostas que só eu sei dar
e no caminho perto do céu
percebi que ali, era meu lugar.

A vida é engraçada
e as idades já não importam mais.
Quem diria hein, pai?!?!
Que um dia eu fosse te esperar...

Guilherme Vilaggio Del Russo
(em memória a Jackeline Ruas)