sábado, 11 de junho de 2011

Carta que não fará sentido amanhã de manhã.

Ei,

se está lendo esta carta, é que por um segundo tomei coragem para escrevê-la. A verdade é que 02:21 da manhã e estou aqui me perguntando o que você está fazendo agora. Já fazem alguns anos que me pergunto isso e nessas horas me sinto em ponto morto, caminhando por...caminhar. Nunca fui bom em falar, eu prefiro escrever, você sabe, mas hoje tá complicado. Mas te escrevo pra dizer que conheci uma pessoa. Uma só. É, faz um tempo, mas eu acho que eu não te contei sobre isso. Eu juro que foi acidente.

Ela é linda. Tem olhos que brilham no escuro e mais um monte de qualidades que eu pensei que só poderia encontrar no filmes de comédia romântica. Eu não estava bem preparado pra ela. Ok, pra dizer a verdade eu não queria estar preparado pra ela. Mas ela foi falando e argumentando e falando mais e foi fazendo sentido pra mim. Eu disse: quer arriscar? Óbvio, falando comigo mesmo. Foi como se eu entrasse em pane dentro de um bi-motor que vai em direção ao solo. Um centímetro mais perto do chão, um centrímetro a mais no meu sorriso. Quando vi, me peguei pensando que talvez fosse ela.

Ah, ela não é tão alta quanto as modelos. Mas tem pele moreninha jambo e cheiro de talco. Passou a ser minha dose diária de pipoca doce, mas do tipo que não enjoa na terceira vez. E beijava bem, parece que nossas bocas foram modeladas pro encaixe milimétrico.

Essa menina é você. Essa é a boa notícia. Logo eu, sim, eu sei. O menino de "arroiz" no email porque estava em todas. As pessoas mudam, eu tenho esse direito também.

A má notícia fica por conta da presente hora, exatos 02:39. Sim, em 15 minutos fiz o texto e não vou revisâ-lo. Deixa aí. Mas eu falava outra coisa. Eu não tenho a menor idéia de como te trazer de volta. O mundo é grande, inclusive a zona sul onde você deve estar agora com amigos e um possível namorado. Não sei por onde começar a te procurar. Tô com medo de ter piscado demais e ter te perdido. Bem naquela noite onde parecia que a gente tinha acabado de ensaiar uma cena. A gente conhecia a fala do outro de cor e fazia planos de ver mais seriados juntos. Talvez eu não tenha sido convincente ou tenha sido eu demais. É, talvez eu não valho muita coisa.

Guarde sua fé para outra pessoa. Para o amor, é isso. Esse ou um outro que você venha ou esteja vivendo. Ah, admiro tua paixão por all-star. O problema é que gosta daqueles brancos, sujam fácil, você sabe disso.

Aparece. Me liga, manda uma mensagem, manda um "ei" na minha timeline. Sinto tua falta, ás 03 da manhã.

De um distante teu,

Guilherme Vilaggio Del Russo


quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que eu vou ser quando crescer

"O que você quer ser quando crescer?", diz esse título. Hmm, eu de verdade, não sei. Talvez se me dessem mais tempo, se eu fosse um pouco mais velho. Quando eu deixar de gostar dos meus seriados, eu penso nisso. Vou seguir colorindo a vida mesmo. E se vier uma nota baixa por isso, saiba que eu nem ligo! Escondo debaixo dos meus cadernos cheios de textos. AH! Talvez eu queira ser poeta, daqueles que vão aos eventos em bibliotecas que cheiram mofo e que ficam para a posteridade, depois de terem sido esquecidos em vida. Poeta daqueles que vivem à margem da sociedade. E da realidade também. Talvez você não tenha tempo de ler. Eu te entendo perfeitamente, também não tenho tempo para matemática. Poeta que luta de caneta, que grita com exclamação. Sabe, ser poeta? Categoria única elevada à herói. Ou a mendigo. Eu gosto de escrever. De escrever sobre mendigos também. Eu não sei o que eu quero. Por isso mesmo, sou ser poeta."

Professor, por favor, deixa eu começar novamente. Tenho medo de que tudo que eu escrevi seja verdade.

Guilherme Vilaggio Del Russo.

domingo, 24 de abril de 2011

Mãe, hoje eu vi uma procissão

mãe, hoje eu vi uma procissão
que eu tinha ouvido falar
e ela falava de um homem
do qual reluto em conversar

mãe, hoje eu vi uma procissão
e me senti um pouco estranho
porque falava de um cara e um rebanho
e dos 3 dias que demorou pra acordar

mãe, hoje eu vi uma procissão
de um rapaz que só quis agradar
que devia ter orgulho dessa multidão e da fé
das pessoas que só vivem a esperar.

mãe, hoje eu vi uma procissão
e tranquilo, não estou mais ou menos convencido
só percebi como é bonito
a beleza de só acreditar,
de só acreditar.

Guilherme Vilaggio Del Russo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

sobre o nosso último romance.

que saudades que eu tenho daqueles dias. dias que a gente inventou uma paixão, que a gente fechou os olhos pro futuro e quis viver só o nosso cinema cult. dias que foram poucos dias, suficientes entretanto para deixar uma ácida marca de saudades dos seus pés pequenos. demorei tanto para ter a claridade dos teus olhos por perto que quando tive, não soube valorizar. fui orgulhoso e deixei reticências nessa nossa conversa antiga. talvez seja isso o que mais me dói. a história daquele filme parecia prever um futuro breve e a tua música eu já tirei da playlist (ela insiste em tocar nas rádios, fique tranquila). era um frio de Junho, parecido com esse vazio que você deixou na minha cabeça. você não lê muito as coisas por aqui, por isso resolvi entregar que fui muito longe por você. até criar um texto sem respeitar as maiúsculas eu criei. penso em dizer tanta coisa que reuni nesse tempo todo que eu torço pra esquecer ao passar dos anos. não sei dizer se tudo isso foi um adeus. é que a gente nem tchau se deu. e isso machuca.

Guilherme Vilaggio Del Russo.