segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Consertar você

Já reli nossa conversa uma porção de vezes. Em cada uma delas, uma percepção. Não tem sido fácil não ser óbvio. Maldita coerência sentimental que me leva a pensar em cada gesto, atitude, cada palavra. Se você parar e pensar, é completamente irracional mas acredito que é justamente daí que nascem os sentimentos genuínos.

Não sou um dejavu. Somos uma oportunidade esperando pra ser regada e adubada. Sabemos que a vida é feita de escolhas mas hoje eu só quero saber o que você quer pro jantar, se prefere vinho branco ou rosé. É simples. Hoje eu vim pra fazer você resgatar antigas crenças.

Você me conhece pouco, mas, se deixar, verá que tenho predisposição a encontrar gente do bem no caminho. Gente que agregue, que soma, a diferença numa noitada de vestidinhos iguais e iguais e iguais... Essa pessoa ê você e essa é a boa notícia. Isso não pode ser coincidência.

A má é que eu não faço a menor idéia de como fazer você acreditar mais. De parecer um cachorro pedindo mais meia dúzia de palavras e afagos. Você talve ria desse texto, mas achei ser a escolha certa num momento onde elas são necessárias. Uma delas foi te por aqui. Guardar você e esse sentimento bom aqui pra sempre.

Agora, eu preciso de você. Não sei o que está acontecendo nem se está acontecendo algo entre nós. Nem um bom motivo pra te fazer gastar um pouco da sua fé em mim. Mas, if i never try, "i'll never know". Certo?

É isso. Branco ou Rosé?

Guilherme Vilaggio Del Russo

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

o nosso hoje

você só aprende quando vive uma experiência dessas. Você vê em cada domingo, um global dizendo que, no final  depois de tanto trabalho e distância, o que vale é a família, que é a base de tudo, que é o pilar, que é o cimento da vida e outras metáforas dominicais. Na cabeça, não passa outra coisa: - "Mas que babaca, quer pagar de humilde agora. O que ele tem pra me ensinar da vida?".

e aí você realmente vive isso. E não vive só no domingo, você vive todo dia. Você sente saudades de coisas que odiava. Sente falta de estar perto pra quem você prometeu que era preciso um caminho sozinho. Você lembra que sua cama não era tão dura assim e que sua mãe era...sua mãe, cara. Das pessoas que eram mais do mesmo, você as vê diferente, um olhar distante na distância mas profundo na análise. Cada dia é outro dia em que você perdeu seu pai resmungando na sala de estar.

não é pra ser algo pessimista, longe disso. Mas você se dá conta de que engrandece porque os problemas também são do mesmo tamanho. Você precisa competir de igual pra igual, senão não vai dar. Você aprende um monte de babaquices globais e vê que elas tem até...sentido. No final, vê que que o vale é a família, que ela é a base de tudo, que é pilar, que é o cimento da vida e o que mais será dito no próximo domingo.

domingo, 1 de julho de 2012

Vinte e sete de Agosto

Querida,


deve estar frio por aí, eu sei. Aqui até que o céu anda aberto, mas nem por isso as coisas tem sido mais fáceis. Nesses dias cheguei a conclusão de que você realmente não me conhece muito bem. Se você tivesse me deixado ser o que sou, veria que eu não sou tão difícil de me entregar assim. E que me entreguei. Tenho pensado muito de que era pra ser e a gente não quis.


Não há uma maneira simples de assumir que não escolhemos o caminho que havia sido feito pra gente. E isso me assusta, linda. Porque foi ontem, ali naquele boteco aberto na cidade fechada. Você falava alguma coisa, eu concordava, você me escolheu primeiro, eu te imaginei por livros e viagens, era a dose de loucura ideal pra alguém que tinha sede disso. Acho que foi ali que percebi que queria passar o resto da minha vida tomando aquele 1.3 litros de cerveja. Claro, a cerveja era ótima, mas ainda preferia seu sorriso.


Você é do tipo louca, aquelas neuróticas, do tipo que me faz sorrir e pedir pra não adiantasse o relógio da vida. Mas eu te escolhi, então essa é a boa notícia. A ruim vem agora. O prazo de validade do seu amor venceu e só me traz hoje na boca um sabor insosso. Você anda distante o suficiente pra buscar comparação. E  hoje tenho a impressão de que a gente vai se perder lá fora. Quando olharmos o calendário e as fotos, veremos que o momento de mudar tudo se foi. E nos caberá aceitar. 


Não querida, não. Eu não esqueci das datas importantes. Eu sofro com uma péssima memória mas tenho um pré-disposição para achar que escrevo bem e fiz do título uma cola pra me fazer lembrar. Lembro também que você faz um ótimo risoto e isso deve valer pra alguma coisa. Assim como seu abraço. Era como o vinho, com cheiro de espera, saudade. Quanto mais demorasse pra acontecer, mais gostoso.


Eu não consigo encontrar uma argumento pra fazer com que você ainda acredite e gaste seu tempo comigo. Mas,  que merda, a gente no seu cobertor era ótimo e não pode ter acontecido sem querer, você sabe.


"Infielmente seu",
Guilherme Vilaggio Del Russo


"Si escribo algo, temo que suceda, si amo demasiado a alguien temo perderlo; sin embargo no puedo dejar de escribir ni de amar."

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Marmita

Ouço de longe o vinil velho. O que toca nele é Raul e eu lembro de minha mãe. Ah, mãe. Saudades da época em que eu era legal não é, mãe? Pequeno, indefeso. É, eu também sinto saudades, sabia? A gente não se cabia de tanta alegria quando você nos levava ao Mc Donalds e eu sonhava em passar a vida naquele lugar. Quantas foram as vezes que eu sonhei que você não repassaria a tabuada do 8 comigo quando chegasse do trabalho. Se hoje me cobro tanto é pra não perder o costume. E você gastou tantas horas da sua vida com nós e me parece que esqueceu de viver, esqueceu-se de si. Onde estão seus sonhos, desejos, vontades, mãe? Meu desejo hoje é que você cumpra o seu. Corte o bolo e faça um pedido pra VOCÊ.

Agora entendo que você nos exigia o mínimo e não a perfeição. Porque se contentar com o 5 se eu podia ter um 9? "Não se compare com a média. Ela é pouca e traiçoeira." Seu mantra em minha memória permanente. Que bom. Consigo enxergar que você sabia exatamente o que íamos passar e quis nos deixar prontos para tudo. Missão cumprida, mãe, descanse um pouco mais, deixe o sobrenome por nossa conta.

Pode parecer que as coisas andam meio cinzas lá fora mas é só neblina dificultando um pouco mais esses raios de sol. Há dias assim e eu sei que você balança neles. A vida não é só de entrega e 8 horas debaixo da coberta. Eu ainda acho que você se doa demais pelos outros e aperta o "soneca" de menos. Se dê a chance de chegar atrasada. Não se trata de um conselho para ser egoísta: é preocupação de ver sorrir aquela que não desgruda do giz.Você já é ótima professora, mãe. Da vida.

Não ando falando muito e o mundo me ensina a dizer cada vez menos, mas sinto sua falta no dia a dia. Que você sempre fique aí, com sua meia de lã azul , um estranho gosto por filmes de desenho e me dizendo que ainda considero nossa casa, um albergue. Eu te perdoo. E te amo.

ps: passado tantos anos você já pode dizer que eu fui o melhor guardador de louças que você já viu.

Guilherme Vilaggio Del Russo